quarta-feira, 13 de julho de 2011

Tempestade de paixão


     Recentemente passei uma tempestade muito grande na minha vida. Um daqueles momentos onde tudo desmorona a seu redor e você só pode se segurar em Deus e acreditar que tudo vai acabar bem. Mas não foi algo que a vida me impôs, e sim um abismo em que eu mesma me coloquei. Com meus próprios pés, eu pulei. Foi a minha força, o meu eu que me fez saltar. Quando cheguei lá, me lembrei como sou fraca e pequena. Afinal, essa minha grande força só me fez cair. E, de repente, meu enorme eu não podia me salvar. Me dei conta que fiz tudo ao contrário. Me guardei tanto de não confiar em mim mesma, que por ouvir todos dizerem ser algo ruim - "Você deve confiar em si mesma" - esqueci o porque fazia isso. Enquanto estava sozinha, chorando, me veio a memória: "Maldito homem que confia no homem" Eu fazia tudo aquilo para não cair. Era por isso que eu não confiava em mim. Quem sou eu, se não um indivíduo cheio de defeitos, a qual sem uma força maior não conseguiria nem acordar, quanto mais vencer. Confiar em Deus. Essa sempre foi a chave. Uma chave que eu perdi enquanto precisava abrir uma porta de saída do meu desespero.
     Reencontrei essa chave. Ah, como eu chorei! Confiar em Deus sempre foi um instinto meu e por um momento eu não entendi, como podia ter esquecido. Era impossível! Mas entendi que preciso vigiar e orar todo tempo e um deslize, pode sim, ser fatal. Essa tempestade foi de amor. Nem de amor, de paixão. Foi algo tão superficial que não sei porque pareceu tão profundo pra mim. É como fazer um escândalo por ter se ralado. Mas foi o tipo de ralado que aconteceu no meio de um machucado muito forte. A última gota d'água que faz o copo transbordar, se prefirirem.
     Então no meio de uma tempestade, estava lá... desprotegida, com frio e sem qualquer guarda-chuva. Nada que me dava segurança. Caída no chão! Mas era tudo uma sensação. Porque em nenhum momento eu me vi sozinha. E na verdade as asas do Todo Poderoso, Maravilhoso e Eterno me cobriam. E a sensação que eu tinha eram sombras do que eu vivia. Impressionante como quando passamos por dificuldades tendemos a olhar pra baixo. O mais baixo e escuro que pudermos, para isolarmo-nos. Mas passou quando olhei o que acontecia em minha volta, a direção foi para cima. Hoje, vejo tudo com mais clareza. Ah, se não fosse Deus segurando a minha mão, me carregando no colo e cuidando dos meus caminhos! Não sei aonde estaria agora. Quando eu pedi socorro, Ele veio como um cavaleiro de branco, com espadas em chamas e parecia já estar a espreita. Apenas esperando ser chamado. Vi que apesar de estar chovendo, não estava sendo atinginda por nenhum pingo de água, talvez apenas um vento frio que eu teimava deixar passar. Porque duvide quem quiser, é assim. Eu posso passar pela tempestade que for, mas se eu quiser, posso sair seca. É só eu procurar meu abrigo em Teus braços.
     Como pude eu Senhor, fugir dessas asas? Como posso eu Senhor, cogitar viver sem Teus cuidados? Como pode meu coração, enganoso como é, achar que conseguiria seguir sozinha. Tola! Tola! Estúpida fui eu. E de nada me tiro a culpa. Mas teu sangue que me cobriu, tem poder de purificar-me e dar-me uma nova vida. Quão lindo é, dependender de Ti. Não dá, não consigo, não sobrevivo. Sou eu essa dependente, totalmente jogada em seus braços e quebrantada, totalmente arrependida de ter caído por outros lados. Agora já passou. E foi mais uma prova do porque eu sirvo ao Senhor. Mesmo eu sendo a errada, me tira de buracos, com toda sua misericórdia, e com graça me sustenta. Mesmo tendo sido minha culpa, estava ali, nunca deixou de permanecer ao meu lado. Tu és fiel Senhor, como eu ainda não sei ser. Mas vou lutar, vou quebrar, vou matar tudo dentro de mim que me impede de seguir e eu prometo Senhor, prometo conseguir. Eu posso passar pelo vento que for, a tempestade que vier, o abismo mais escuro que existir. Mas sem a Tua ajuda, não dá. Não posso viver sem Ti.

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