sábado, 19 de novembro de 2011

Despedida


 Numa noite fria de um mês que pelo colapso do momento já nem lembro o nome, ele disse:
- Vou te esperar! – Sua voz angustiada fazia jus as lágrimas de profunda tristeza que derramava.
- Não desista de mim! – Ela o abraçava no portão de sua casa, como se não quisesse soltá-lo. Palavras que não chegaram a se tornar audíveis, antes disso, omitiam-se enquanto pensava. “Fique, não vá! Por favor, FIQUE!”
- Nunca vou desistir de você, faz parte de mim te amar. – “Me peça para ficar. Vamos! Me peça para estar contigo para sempre. Eu largaria tudo para te ter de novo”. E como ele desejou que aquele olhar significasse isso tudo. 
Enquanto tentava interpretar algum sinal de esperança, segurou-a pela cintura, uma de suas mãos acariciava o rosto da amada.  Tão perto que poderia ouvir seus pensamentos, mas ela não conseguiria.
Ela: “Não posso suportar te ver partir novamente, para tão longe! Mal me sinto preparada...”
Ele: “Você não entende? Era aqui que eu queria estar! Aqui, do seu lado! É onde eu pertenço...”
Ela: “A saudade mata minha alma, me corrói por dentro.”
Ele: “Pertenço ao seu lado”
Ela: “Será que de novo preciso lidar com a lembrança de te ver partir?”
Ele: “Eu te amo, eu te amo, eu te amo...”
Ela: “Eu preciso de você!”
Palavras guardadas em pensamentos paralelos que foram aprisionados. Como era dolorosa a aflição de olharem-se tão de perto.
- EU TE AMO! – Firme. Soou como um desabafo. Então a beijou.
O gosto do último beijo trazia lembranças de saudade. Ela não sabia mais o que sentia, por isso não entendia seus próprios pensamentos. A corrida  para contemplar a verdade em seu coração pareceu durar anos. E por dentro, os dois gritavam. Desesperados para serem ouvidos.
Ele: “Meu desejo. Minha princesa!”
Ela: “Saudade! SOCORRO! Como ele me faz falta Deus!”
Ele: “Será? Minha?!”
Ela: “Não vê que está partindo meu coração?”
Ele: “Seja minha. Não desistirei até que seja minha.”
Ela: “Amor...?”
Ele: “PAIXÃO!”
Ela: “saudade!”
Ele: “ilusão!”
Ela: “medo!”
Ele: “AMOR!...”
Ela: “MEU VERDADEIRO AMOR!”
Os lábios se desencostavam e o gosto ainda era de saudade, pareceu o tal último beijo, o beijo de despedida.
- Adeus! – Disse ela como se guardasse seus sentimentos numa caixa e fizesse três nós de escoteiro.
- Até logo. Eu te amo. – Disse ele, caminhando em direção ao ponto de ônibus e revelando tudo que podia revelar. Talvez já se sentisse invisível a essa altura. Ou, na verdade, já se sentisse assim desde o princípio.
Dar as costas e caminhar nunca pareceu tão sombrio. Não era porque já passavam de onze horas da noite. Mas naquele momento, até o sol, mesmo de tão longe, podia desvendar a profunda angústia que carregavam dois corações que se amavam e pertenciam um ao outro. Sem saber de sua perfição, decidiram bater em ritmos diferentes.

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